BRASIL E MUNDO — Abertura

Augusto Cury pede o adiamento das eleições a escassos três dias da votação, mas essa mudança de data simplesmente não vai acontecer na prática. O candidato protestou diante do Supremo Tribunal Federal após o cancelamento do debate — acreditando que o aparato estatal responderia ao seu apelo de última hora.

A imprensa vende o circo político como uma grande reviravolta institucional — enquanto o burocrata do tribunal ri da pretensão de alterar o calendário oficial. Trata-se do clássico teatro estatal: o candidato tenta fingir autoridade sobre uma máquina pesada que opera inteiramente à revelia dos desejos do indivíduo.

Só que o detalhe logístico que a grande mídia ignorou revela um fato muito mais sombrio — a fixação nesse bate-boca esconde as apreensões milionárias por compra de voto que estão acontecendo neste exato momento, e eu vou te provar como esse teatro esconde a verdadeira podridão do processo.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Organizar um pleito em um país continental exige uma engenharia logística colossal financiada pelo pagador de impostos. O transporte das urnas até as regiões mais distantes da Amazônia exige helicópteros, barcos e semanas de preparação. A inseminação dos equipamentos e os boletins já estão concluídos em cada canto do território. Interromper essa operação a três dias do pleito equivaleria a paralisar uma empresa falida no meio da entrega do seu produto — um custo inviável para o próprio sistema. Esse engessamento expõe a rigidez do monopólio estatal.

Enquanto o público se distrai com requerimentos na porta do tribunal, o verdadeiro crime eleitoral acontece nos bastidores. O debate passa horas discutindo o código-fonte das máquinas eleitorais — um dilema distante da realidade do brasileiro comum. O problema estrutural da nossa política é infinitamente mais primitivo: a compra ostensiva de votos com dinheiro vivo e mantimentos. A Polícia Federal flagrou esquemas em Roraima, Amapá e Maranhão — apreendendo mais de um milhão e oitocentos mil reais em espécie e centenas de cestas básicas destinadas a dobrar o eleitor.

O mecanismo desse mercado paralelo utiliza recursos tomados da própria sociedade para perpetuar caciques no poder. Em Boa Vista, agentes federais prenderam vinte e três pessoas em flagrante — incluindo distribuidores e eleitores que admitiram receber quatrocentos reais em troca do voto. Em Afonso Cunha, no Maranhão, cadastros de eleitores acompanhavam maços de cédulas para o suborno. O roteiro é sempre o mesmo. Trata-se de uma transação em que o político corrupto compra a procuração do cidadão por uma ninharia — sabendo que recuperará tudo no primeiro contrato superfaturado.

Parece piada, mas é a gestão pública em seu estado puro. Se o Estado fosse uma empresa privada, esse modelo já estaria falido. O cidadão é coagido a sustentar o aparato — e ainda assiste à distribuição do próprio dinheiro expropriado sob a forma de favores. Para o indivíduo abordado por esses negociantes de votos, a atitude pragmática é pegar os quatrocentos reais ou a cesta básica — afinal, o dinheiro já foi retirado dele via impostos — e votar exatamente em quem quiser. O corruptor não consegue checar o voto dentro da cabine. A soberania individual prevalece.

Outro ponto cego do sistema reside na composição das mesas eleitorais. Uma denúncia revelou que apoiadores partidários e ocupantes de cargos de confiança foram nomeados para presidir juntas eleitorais no Ceará. Embora o tribunal alega em nota oficial que a legislação proíbe nomeações irregulares — a fiscalização falha em pequenos municípios aparelhados. Quando os integrantes de uma mesa pertencem ao mesmo grupo político — sem a presença de fiscais de outros partidos — a margem para fraudes e votações em nome de ausentes cresce assustadoramente. A máquina protege a si mesma sem vigilância.

Para coroar esse espetáculo de insegurança institucional, a Polícia Federal abriu investigações sobre uma ameaça de bomba contra a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Militantes radicais foram apontados como autores de alertas que forçaram o fechamento temporário da sede diplomática. Diferente da complacência do aparato estatal brasileiro com a sua própria desordem — autoridades americanas não toleram ameaças à sua infraestrutura. Esse desespero fanático mostra como o ambiente se deteriora quando grupos disputam a caneta estatal a qualquer custo. O caos provocado pelo extremismo estatal sempre sobra para o cidadão.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Diante de tanto teatro político, adiamentos impossíveis e negociatas de votos com o seu dinheiro — você realmente acredita que depositar um pedaço de papel em uma urna vai mudar a estrutura coercitiva do Estado brasileiro?

O roteiro da burocracia é sempre o mesmo — promessas de ordem enquanto o aparato entrega apenas escândalos e desordem. Não espere salvação vinda de urnas, partidos ou tribunais. A sua única defesa real é privada e individual — blindando o seu patrimônio, protegendo a sua família e buscando a descentralização para longe das garras do leviatã. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.