BRASIL E MUNDO — Abertura

O cancelamento do debate presidencial na Globo revelou — da pior maneira possível — como a canetada estatal manipula o jogo político ao bel-prazer dos seus apadrinhados.

O espetáculo é quase cômico — a mesma emissora que aplaudiu o ativismo judicial nos últimos anos agora chora em editorial ao provar do próprio remédio amargo. O contraste entre o discurso fofo sobre democracia e a realidade crua da interferência dos tribunais escancara o abismo que separa a versão oficial dos fatos.

Mas o mecanismo oculto utilizado no Supremo Tribunal Federal para rasgar o regulamento assinado por todas as campanhas revela um jogo de cartas marcadas muito mais profundo — e eu vou te mostrar agora como funciona essa engrenagem.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

O pretexto oficial para o colapso do evento foi a liminar concedida pela ministra Estela Aranha, do TSE. As regras do debate haviam sido negociadas e assinadas por todas as campanhas — inclusive pelo PT. O regulamento previa expressamente que, se um candidato faltasse, seu púlpito permaneceria vazio com uma placa de identificação, permitindo perguntas direcionadas. Temendo o impacto visual da cadeira vazia em horário nobre, a defesa petista correu ao tribunal. A ministra, ex-assessora do Ministério da Justiça, prontamente proibiu o púlpito deserto sob o pretexto de evitar desequilíbrio na disputa. Uma alegação que afronta a lógica mais elementar.

Se você comanda uma empresa privada e assina um contrato com cláusulas claras, você assume as consequências ao faltar ao compromisso. No mercado livre, o cliente insatisfeito simplesmente cancela o serviço. Mas no monopólio estatal da política, a regra muda na véspera para proteger o sócio majoritário da firma. Estela Aranha blindou o candidato fujão de sofrer qualquer constrangimento público. A dinâmica do debate só não ocorreu porque o próprio postulante optou por faltar. Ao reescrever o acordo na última hora, a burocracia concedeu um benefício exclusivo a quem se recusou a prestar contas ao eleitor.

Não bastasse a canetada no TSE, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, resolveu dar o seu próprio show de autoritarismo. Horas antes da transmissão, atendeu a uma petição heterodoxa para impor a participação de um candidato que não preenchia os requisitos da lei nem do regulamento. O detalhe escabroso é que a peça foi enxertada em um processo antigo, sem nenhuma relação com o debate, atropelando o sorteio de relatoria. Gilmar Mendes ignorou as regras e agiu como diretor de programação estatal, determinando quem sobe ao palco.

Parece piada, mas é o puro suco de Brasil. A grande imprensa, que durante anos tratou decisões arbitrárias como defesas heroicas das instituições, agora publica editoriais indignados bradando que sem liberdade não há debate. Folha, Estadão e O Globo finalmente sentiram a mão pesada do Judiciário sufocando o próprio produto comercial. Quando a censura e a manipulação eram direcionadas aos adversários convenientes em dois mil e vinte e dois, as redações aplaudiam. O comitê da verdade do tribunal apagava matérias sob o silêncio da mídia. Agora que a tesoura estatal cortou a transmissão do horário nobre, os jornais fingem choque diante do monstro que ajudaram a criar.

Pense nesse ecossistema como uma corporação falida, cujos diretores usam o departamento jurídico para impedir que os clientes vejam o balanço financeiro. É exatamente assim que o Estado funciona. As manobras jurídicas para melar o evento não foram acidentais: a intenção era esvaziar a atenção do público e proteger o governante de sabatinas sem filtro. O ativismo judicial virou um instrumento corporativo de contenção de danos. Quando a discussão aberta ameaça a narrativa mantida pelo sistema, o monopólio da coerção é acionado para apagar as luzes do estúdio.

E o espetáculo fica ainda mais cínico quando analisamos os bastidores dos tribunais. Figuras políticas tradicionais atuam como despachantes de luxo em Brasília, acionando juízes alinhados para interferir no processo eleitoral. Bastou o eleitor rejeitar esses velhos caciques para que o Judiciário passasse a rasgar a legislação e ignorar o devido processo legal. O roteiro é sempre o mesmo: quem detém o poder da caneta não responde a nenhum eleitor e não possui contrato com a sociedade.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Diante de tanta manipulação, liminares de última hora e cartas marcadas nos tribunais, você ainda acredita de verdade que o rumo do seu país será decidido com justiça na urna eleitoral?

O teatro dos poderes mostra que o cidadão é apenas um pagador de impostos cativo. Por isso, não espere absolutamente nada de políticos, juízes ou emissoras de TV. A sua única defesa real é individual e privada: proteja a sua família, blinde o seu patrimônio da voracidade fiscal e busque a descentralização para garantir a sua soberania. Eu sou Peter Albuquerque para o Webjornal Vale da Liberdade. Até a próxima.