BRASIL E MUNDO — Abertura

Três batalhões inteiros de polícia, ruas bloqueadas, a ciclovia do Parque Bruno Covas interditada e viaturas oficiais do Tribunal Regional do Trabalho estacionadas como se fossem serviço de manobrista particular. Esse foi o cenário surreal montado no coração financeiro de São Paulo para blindar o casamento do filho de Alexandre de Moraes.

Enquanto o cidadão comum enfrenta arrastões diários e engarrafamentos infernais sem nenhuma assistência, a estrutura de segurança pública de um estado inteiro foi prontamente sequestrada para garantir a tranquilidade de uma festa de família de quem manda na corte suprema. O contraste é escandaloso: o pagador de impostos financia o cerco que o impede de circular na própria calçada.

Só que o grande vexame que as colunas sociais tentaram esconder a sete chaves não foi apenas o abuso explícito da máquina estatal. O detalhe revelador dessa festa em São Paulo escancarou um isolamento político profundo e um recuo financeiro forçado que quase ninguém percebeu, e eu vou te mostrar agora o tamanho dessa fatura.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

A começar pela geografia da coisa toda. O evento aconteceu na Casa Fasano, um espaço cujo aluguel básico varia entre sessenta mil e duzentos mil reais, localizado a meros três quilômetros da antiga sede do infame Banco Master. Para proteger o recinto, a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Judiciária montaram uma verdadeira fortaleza armada na zona oeste da capital. Fecharam vias de acesso, desviaram motoristas e impediram qualquer pedestre de passar perto, tratando uma celebração privada estritamente civil como se fosse uma cúpula de segurança nacional com risco iminente de guerra.

Houve até registro gravado de um morador da região que tentou simplesmente atravessar a pé para chegar até a sua própria residência e foi sumariamente barrado pelos agentes da lei, chegando ao ponto de levar um tapa para derrubar o celular enquanto filmava o abuso. Repare bem na inversão total de prioridades: o indivíduo que banca o salário dos policiais e o asfalto da via pública é enxotado da calçada para que convidados seletos desembarquem sem o menor incômodo visual de ver gente comum.

E sabe o que é mais cínico nisso tudo? Na lógica privada de mercado, quando uma empresa gasta mais do que arrecada ou causa prejuízos em massa à vizinhança, o consumidor rompe o contrato imediatamente e a firma decreta autofalência. No estatismo corporativo, o cliente é cativo e não pode rescindir o serviço. A burocracia estatal consome centenas de milhares de reais de orçamento operacional para escoltar banquetes privados e depois ainda envia a conta da gasolina dos camburões para você pagar no carnê.

O roteiro é sempre o mesmo. Mas preste atenção na lista de presenças, porque ela conta a verdadeira fofoca política de bastidor. As manchetes institucionais anunciaram com pompa que a cúpula do Supremo Tribunal Federal esteve em peso na cerimônia. Quando você vai conferir os nomes reais, o tal peso resume-se a Gilmar Mendes e Flávio Dino, além do procurador-geral Paulo Gonet. Onde estavam os outros oito integrantes da mais alta corte do país? Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Dias Toffoli simplesmente não deram as caras.

Parece piada, mas não é. Quem manda de verdade no tribunal sabe que colar a imagem pessoal em certas figuras públicas hoje em dia representa um risco de contaminação política gigantesco. O que sobrou para preencher as mesas foram magistrados de instâncias inferiores e juízes do tribunal do trabalho, ávidos por prestar vassalagem e puxar o saco da autoridade de plantão, usando inclusive carros oficiais da repartição para comparecer ao convescote. O círculo íntimo do poder supremo mingua a olhos vistos perante o público atento.

E tem outro fator fundamental que desmonta a narrativa de triunfo dessa casta: o local da cerimônia. Vamos encarar a realidade dos fatos. Pessoas com esse nível de vaidade e influência costumam realizar casamentos pomposos em vinhedos na Toscana, castelos na França ou vilas históricas em Portugal, onde a imprensa internacional mal presta atenção e os protestos são nulos. Fazer essa festa no Brasil, cercada de tapumes improvisados e sob o medo constante do julgamento popular na esquina, é atestado explícito de contenção de despesas e cerco diplomático fechado.

Depois dos escândalos envolvendo contratos milionários e o estrago financeiro deixado pelo Banco Master, as opções de trânsito internacional ficaram bastante limitadas para quem recebia honrarias no exterior. Se o dinheiro estivesse jorrando livremente como no passado, a recepção seria em Roma, com voos fretados de jatinho particular e resorts inteiros fechados na Europa. O evento em São Paulo comprova que o cerco geopolítico e financeiro cobra o seu preço, e a pompa ostentada aqui dentro nada mais é do que fachada para disfarçar o isolamento.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O espetáculo grotesco de ver três batalhões de polícia servindo de cerimonial particular escancara a falência moral de uma casta que não consegue dar dez passos nas ruas do próprio país sem escolta de fuzil. Eles podem fechar ciclovias e mandar derrubar celulares de cidadãos indignados, mas não conseguem esconder que estão cada vez mais isolados dentro do próprio castelo burocrático.

Não espere justiça, decoro ou moderação dessa engrenagem política viciada; a sua única defesa real continua sendo a descentralização, a blindagem do seu patrimônio privado e a proteção da sua família bem longe dos tentáculos do leviatã. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.