BRASIL E MUNDO — Abertura

Faltam apenas duas semanas para a eleição e o buraco é bem mais embaixo do que o gado estatista imagina no seu mundinho de ilusões.

Enquanto a esquerda chora com pesquisas mostrando um Senado fragmentado, os eleitores ditos conservadores continuam jogando voto fora em candidato nanico por puro sentimentalismo.

O detalhe que a grande imprensa esconde é que, sem voto estratégico agora, a esquerda vai passar por cima da nossa bacia das almas e eu te provo o porquê.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

A matemática eleitoral do Senado é fria, implacável e não tolera ingenuidade. Ao contrário da disputa presidencial, no Senado não existe segundo turno: o sujeito que terminar um único voto à frente no primeiro turno fica com a cadeira por oito longos anos e leva o orçamento. O grande problema é que a militância lê as pesquisas do Datafolha sem entender a fraude amostragem do sistema. O instituto utiliza dados desatualizados da PNAD de 2010, fingindo que metade da população vive na miséria extrema para inflar nomes assistencialistas. Na prática, esse viés estatístico mascara a liderança real e engana o eleitor que insiste em desperdiçar o voto no seu político favorito.

Olha o cenário crítico em São Paulo revelado no G1 e na Carta Capital. Marina Silva e Simone Tebet aparecem na frente com treze por cento das intenções simplesmente porque têm recall de mídia como ministras do regime estatal. Em seguida, André do Prado com onze e Guilherme Derrite com dez por cento disputam a vaga real da direita. Só que temos o Ricardo Salles travado em cinco por cento. Eu gosto muito do Salles, reconheço sua firmeza ideológica, mas continuar votando nele agora é pura miopia tática. Como o candidato não vai desistir para não queimar sua biografia política, a responsabilidade de fazer o ajuste de rota cai inteiramente no colo do eleitor.

Pense na eleição como um mercado altamente competitivo onde o Estado atua como um cartel de acionistas minoritários. Quando você pulveriza os recursos da sua cartela entre três executivos de uma mesma ala, você abre espaço para a concorrência monopolista assumir a liderança absoluta com uma fatia insignificante do mercado. Dividir votos entre Derrite, André do Prado e Salles é o equivalente corporativo a financiar a destruição da sua própria empresa. Se o eleitor não aplicar uma gestão de risco pragmática e concentrar forças nos nomes com tração real para ultrapassar a máquina esquerdista, o prejuízo fiscal e regulatório cairá direto na conta do seu próprio bolso.

No Distrito Federal, o enredo se repete com uma clareza alarmante. Michelle Bolsonaro lidera com folga com vinte e um por cento, mas a esquerdista Leila do Vôlei aparece perigosamente em segundo lugar para bocanhar a outra vaga. Enquanto a petista Érica Kokay ameaça por trás com catorze por cento, a deputada Bia Kicis disputa voto a voto, e o excelente desembargador Sebastião Coelho segura dois por cento valiosos pelo Partido Novo. Eu admiro profundamente o trabalho do Sebastião Coelho, mas no modelo eleitoral vigente esses dois por cento perdidos representam a brecha perfeita para a esquerda emplacar uma burocrata alinhada ao governo na capital do país.

Já no Rio de Janeiro, o fantasma da velha política reaparece na liderança com Benedita Silva atingindo dezoito por cento. Ela lidera única e exclusivamente pelo recall de ter ocupado o governo estadual no passado, embora seu histórico de gestão seja desastroso. Abaixo dela, Carlos Jordi e Carlos Portinho despontam como as únicas alternativas viáveis de renovação. O grande obstáculo é a presença de Marcelo Crivella, que drena votos essenciais da base conservadora. Crivella deixou um rastro de decisões arbitrárias durante a pandemia e hoje atua como uma candidatura linha de linha que só serve para dividir o eleitorado e consolidar o poder das oligarquias.

E para provar que a minha análise não é mero discurso teórico, eu apliquei essa lógica fria na minha própria indicação em Minas Gerais. A disputa está afunilada entre Marília Campos do PT, Aécio Neves do PSDB, Carlos Viana do PSD, Domingos Sávio e Marcelo Aro. O meu apoio inicial era do meu amigo Marco Antônio Superman, do Partido Novo. Eu considero o Superman um nome espetacular, mas os dados mostram que ele tem apenas dois por cento. Por isso, atualizei o meu site Peter Apoia e migrei meu voto para o Carlos Viana. Engoli a pílula amarga do PSD do Kassab porque a prioridade absoluta é barrar a esquerda e o centrismo fisiológico.

Compreenda o real impacto de cada voto na sua vida cotidiana: o Senado é a única instituição constitucional capaz de frear o ativismo judicial do Supremo Tribunal Federal e aprovar o impeachment de ministros autoritários. Se garantirmos a eleição de pelo menos nove senadores alinhados à liberdade econômica e ao garantismo institucional, teremos a maioria necessária para eleger a presidência da casa e reestruturar o Judiciário. Ignorar o voto útil agora por purismo ideológico é entregar o destino do país para burocratas unânimes em Brasília, permitindo que a gastança pública e a censura avancem sem qualquer freio de arrumação.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

A conclusão é límpida e inquestionável: ou o cidadão de bem vota com pragmatismo e inteligência estatística nestas duas semanas, ou pagará a conta da arrogância eleitoral pelos próximos oito anos.

A verdadeira mudança nunca virá de marajás em gabinetes, mas da sua capacidade de blindar sua família e seu patrimônio longe das garras desse Leviatã. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.