BRASIL E MUNDO — Abertura

Lula canetou a proibição repentina de todo o setor de apostas, rasgou contratos em vigor, implodiu a segurança jurídica do país perante investidores estrangeiros e o resultado político de todo esse espetáculo autoritário foi exatamente zero nas pesquisas eleitorais.

O Palácio do Planalto jurava que essa cruzada moralista de última hora colheria uma onda massiva de gratidão popular nas urnas, mas a realidade bateu na porta: a população enxergou o oportunismo barato e a conta bilionária de indenizações já está carimbada para o pagador de impostos quitar.

Só que o detalhe que a grande mídia faz malabarismos para soterrar nas entrelinhas dos últimos levantamentos revela um pânico silencioso no comitê governista a sete dias da eleição, e eu vou dissecar agora o tamanho do desastre que eles tentam esconder de você.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

O governo achou que bastava publicar a Medida Provisória 1394 para posar de guardião da moral pública, revogando autorizações do dia para a noite sem devolver o dinheiro recolhido das outorgas. O tiro saiu pela culatra. A consultoria AP Exata monitorou quase duzentas mil postagens nas redes sociais e concluiu que o banimento das apostas não transferiu capital político nenhum para Lula. O próprio governo que abriu as portas e regulamentou as apostas tentou vender a revogação da própria medida como se fosse um troféu de virtude. O cidadão não é idiota. As pessoas enxergam de longe a contradição de quem cria o caos para depois se apresentar como salvador da pátria, deixando uma montanha de processos judiciais para trás.

A uma semana do primeiro turno, o panorama das pesquisas eleitorais expõe a fragilidade dessa narrativa governista. Diferente de 2022, quando o candidato petista liderava com ampla vantagem na véspera da votação chegando a dezesseis pontos no Ipec, hoje o cenário se inverteu. Cinco levantamentos recentes colocam Flávio Bolsonaro à frente, com projeções que encostam em cinquenta por cento dos votos válidos dentro da margem de erro. A esquerda tenta se apegar ao número de estados onde lidera, celebrando vitórias em unidades menores da federação, mas perde feio nos colégios eleitorais decisivos. Em São Paulo e no Sul, a vantagem da oposição é expressiva e consolida uma sangria de votos que o marketing oficial não consegue estancar.

O roteiro é sempre o mesmo. Imagine uma empresa à beira da falência, afundada em dívidas e com entregas deploráveis, que resolve proibir os clientes de rescindir os contratos enquanto cobra mensalidades abusivas sob ameaça de coerção física. Como o caixa está esgotado e a diretoria não possui resultados concretos para apresentar no balanço trimestral, ela inventa pacotes mirabolantes e proibições repentinas para iludir os acionistas. Só que você não recupera a confiança de um mercado em fuga criando programas eleitoreiros como o Desenrola para o próximo ano enquanto a inflação corrói a renda básica no presente. É a gestão da ruína operando em ritmo de campanha desesperada.

Você que acompanha as análises aqui no canal já conhece bem o vício metodológico de boa parte dos institutos. O uso de ponderações demográficas questionáveis baseadas em dados desatualizados da Pnad costuma inflar artificialmente o desempenho da esquerda nas sondagens de opinião. Além disso, existe o peso do comparecimento real às urnas e o fenômeno do voto envergonhado. O eleitorado descontente com o peso do Estado tem motivação orgânica para comparecer no domingo, enquanto a mobilização governista depende de estruturas burocráticas que falham na hora decisiva. Diante da hostilidade da imprensa tradicional contra a oposição, muitos eleitores simplesmente preferem omitir sua escolha dos pesquisadores na rua, distorcendo o retrato real do eleitorado.

Parece piada, mas a conta chegou rápido. A grande ilusão do Palácio do Planalto foi acreditar que a coligação de conveniência montada em 2022 teria paciência infinita. Naquela época, economistas ortodoxos, financistas da Faria Lima e a turma da isentosfera embarcaram na tese de uma frente ampla em nome da moderação. Bastou sentar na cadeira presidencial para o mandatário dispensar solenemente figuras como Armínio Fraga e Pedro Malan, optando por uma agenda econômica intervencionista e revanchista. Esses liberais de ocasião descobriram da pior forma que serviram apenas como idiotas úteis para a burocracia estatal. Hoje, com a reputação manchada, esses mesmos agentes não movem uma palha para socorrer o projeto oficial.

A tentativa desesperada da militância governista de pautar o debate com fake news religiosas e acusações requentadas sobre benefícios sociais é o sintoma clássico de uma campanha que perdeu a tração popular. Quando um candidato precisa apelar para o terrorismo eleitoral na televisão aberta para assustar os beneficiários do Bolsa Família, fica claro que a narrativa oficial ruiu por completo. O cidadão comum já entendeu que o verdadeiro inimigo do seu sustento não é a oposição política, mas sim a máquina de gastança pública que desvaloriza a moeda, encarece os alimentos no supermercado e entrega um retorno miserável em serviços essenciais. A retórica salvacionista simplesmente não resiste à realidade do carrinho de compras.

O efeito colateral de todo esse intervencionismo já está contratado e vai custar caro para a sociedade nos próximos anos. A quebra de regras no setor de apostas demonstrou que o Brasil trata contratos e investimentos privados como brinquedos descartáveis de conveniência política. Esse tipo de arbitrariedade institucional afugenta capitais externos, destrói a previsibilidade para novos negócios e empurra o país para o isolamento econômico. Quando o Estado age como um leviatã descontrolado que atropela garantias básicas para tentar salvar a própria pele na semana da eleição, o resultado inevitável é estagnação, aumento do risco-país e um fardo tributário ainda mais asfixiante sobre os ombros de quem produz riquezas de verdade.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O espetáculo grotesco que assistimos em Brasília nesta reta final é apenas mais um capítulo previsível da decadência de um modelo estatista falido. Não se iluda achando que o aparato burocrático que destrói a segurança jurídica e manipula a máquina pública tem qualquer compromisso com o seu bem-estar ou com o futuro da nação.

A sua única defesa real contra as arbitrariedades do poder estabelecido é a soberania individual: proteja a sua família, descentralize o seu patrimônio e não entregue o seu destino às promessas vazias de governantes ou salvadores da pátria. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.