BRASIL E MUNDO — Abertura
Três horas e vinte minutos de confronto direto na televisão aberta, a três dias da votação, com apenas quatro candidatos no palco e a faca nos dentes. Flávio Bolsonaro confirmou presença no debate da TV Globo e emparedou o Palácio do Planalto ao desafiar o atual mandatário a mostrar a cara diante do país inteiro.
O discurso oficial vende a narrativa confortável de que debates de primeiro turno são dispensáveis, uma bagunça de ataques sem foco. Mas a realidade nua e crua é o pavor evidente de encarar perguntas desconfortáveis sobre corrupção, rombo fiscal e crise institucional quando não há claque ensaiada para aplaudir.
Só que o detalhe que a velha imprensa tenta enterrar debaixo do tapete é a engenharia cirúrgica montada para afunilar esse confronto, excluindo nomes de fora do cartel político tradicional. Eu vou te mostrar agora como essa cartada no estúdio da emissora altera completamente o tabuleiro eleitoral.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
O desenho do debate na emissora carioca decorre de um mecanismo bem conveniente do cartel partidário. Pela legislação eleitoral do TSE, as redes de televisão só precisam convidar candidatos de partidos ou federações com cinco ou mais parlamentares federais eleitos no pleito de 2022. Por causa dessa régua engessada, nomes como Romeu Zema e Renan Santos ficam formalmente de fora da transmissão principal, porque seus partidos não atingiram essa cota inicial na época, mesmo recebendo adesões depois. Restaram apenas quatro figuras no estúdio: Lula pelo PT, Flávio Bolsonaro pelo PL, Ronaldo Caiado pelo PSD e Augusto Cury pelo Avante. É um modelo enxuto, desenhado para blindar o establishment contra qualquer voz dissidente do sistema.
E quem realmente ganha com esse formato reduzido? O plano inicial do petismo era simples: fugir dos debates coletivos para não servir de saco de pancadas de dezenas de postulantes sem chances de vitória. Quando o líder das pesquisas se recusa a comparecer, ele tenta congelar o jogo e evitar desgastes. O problema é que a confirmação pública de Flávio muda a dinâmica da mesa. Se o petista faltar a um debate transmitido em rede nacional imediatamente após a novela das nove, a cadeira vazia vira uma confissão tácita de covardia política. Se comparecer, terá de prestar contas de escândalos, interferências judiciais e má gestão orçamentária diante de um público gigantesco que paga a conta do Estado.
Parece piada, mas não é. O roteiro é sempre o mesmo quando a fatura bate à porta.
Pense no Estado brasileiro como uma megacorporação estatal cronicamente falida, cujos diretores gastam rios de dinheiro, acumulam passivos impagáveis e proíbem o cliente de cancelar a assinatura do serviço. Em qualquer ambiente concorrencial de mercado, executivos com tamanho histórico de rombos seriam demitidos sumariamente pelo conselho ou processados por quebra de governança. Na política partidária, no entanto, esses mesmos gestores exigem palanques controlados para justificar o rombo nas contas públicas e as mordomias do aparato burocrático. O debate aberto é o único momento em que o consumidor cativo assiste aos postulantes ao comando dessa máquina serem cobrados pelas falhas grosseiras da diretoria.
Existe também uma jogada estratégica fundamental para o próprio Flávio Bolsonaro nesse confronto direto. O marketing adversário e o oligopólio de mídia tentam a todo custo vender a ideia de que a disputa se resume a uma reedição do passado recente, carimbando tudo como se fosse o governo do pai dele. Mas o Flávio não é o Jair. O tom dele é diferente, a articulação política é diferente e o estilo de oratória segue outra cadência. Diante de milhões de telespectadores indecisos e da chamada isentosfera — pessoas que rejeitam o lulismo mas guardavam ressalvas ao ex-presidente —, ele tem a chance de se firmar como uma liderança independente capaz de atrair o voto útil já na reta final.
E sabe o que é mais cínico nisso tudo? O teatro da indignação de candidatos que ficaram pelo caminho.
Enquanto figuras menores do espectro político apelam para declarações desesperadas nas redes para beliscar alguns pontinhos nas pesquisas, a eleição já se consolidou como uma batalha de dois polos. A população produtiva que carrega o país nas costas não aguenta mais tributação sufocante, inflação de alimentos e aparelhamento estatal. O cidadão comum percebe perfeitamente que o sistema atual tá uma merda e não entrega serviços básicos. Esse debate longo na quinta-feira serve como uma verdadeira antecipação do segundo turno, onde cada centavo desperdiçado pelo leviatã e cada canetada autoritária da burocracia serão jogados ao vivo na cara dos burocratas.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
O espetáculo eleitoral na televisão é apenas o reflexo de uma máquina pública que queima bilhões de reais do pagador de impostos para legitimar seu próprio poder coercitivo. Nenhum debate de estúdio vai reduzir o tamanho do leviatã ou devolver a riqueza que a Receita Federal confisca diariamente do seu trabalho.
Não entregue suas esperanças a acordos de cúpula nem a salvadores da pátria. A verdadeira segurança está em proteger o seu patrimônio de forma descentralizada, blindar a sua família e buscar autonomia real fora das garras do Estado. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.