BRASIL E MUNDO — Abertura
Um coordenador da Secretaria de Comunicação da Presidência da República foi flagrado orientando a militância a ignorar desmentidos oficiais e manter a circulação de uma mentira descarada contra o principal adversário do governo.
Repare bem na ironia: o mesmíssimo aparato estatal que cria ministérios da verdade, persegue opositores e promete higienizar o debate público opera, nos bastidores do palácio, como linha direta de difamação paga com o seu dinheiro.
O senador Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral pedindo a prisão preventiva do funcionário, mas o detalhe que a imprensa corporativa fez questão de diluir revela um mecanismo muito mais sombrio sobre como a máquina pública sequestra a comunicação de Estado.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
O caso começou com um boato fabricado afirmando que a oposição pretendia revogar o título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida, uma pauta velha de dois mil e sete que jamais pertenceu ao senador. Quando o ministro André Mendonça determinou a remoção imediata dos conteúdos fraudulentos, o coordenador de estratégias da Secom, George Marques, usou seu perfil com mais de duzentos mil seguidores para amplificar uma postagem de terceiros com uma ordem explícita: ninguém deveria compartilhar a retratação judicial, deixando o boato circular para inflamar eleitores humildes no Norte e no Nordeste. Diante do flagrante, o funcionário apagou a mensagem e alegou compartilhamento involuntário. Uma desculpa infantil que insulta o bom senso.
Essa conversa fiada de que retuíte não significa endosso é o clássico refúgio dos burocratas flagrados no desvio de conduta. O sujeito detém cargo de comissão altamente remunerado pelo pagador de impostos e administra alcance digital alavancado pelo carimbo da Presidência. O problema de fundo vai muito além de uma postagem isolada; trata-se da promiscuidade institucional escancarada pela revista Veja entre a Secom e a campanha petista. Burocratas que deveriam zelar pela comunicação perene do Estado brasileiro atuam na prática como comitê informal da reeleição, transformando órgãos custeados pelo erário em trincheiras partidárias para sabotar concorrentes e tentar manipular o processo democrático.
Traga essa aberração para a lógica corporativa de mercado. Imagine uma prestadora de serviços em crise que impede os clientes de rescindir o contrato sob ameaça de processo e confisco. Em vez de entregar o produto contratado, a diretoria desvia o capital de giro para contratar marqueteiros com o objetivo exclusivo de assassinar a reputação da concorrência comercial. Qualquer conselho ético demitiria esses executivos por fraude e desvio de finalidade. No leviatã de Brasília, porém, o cidadão esfolado pela inflação e pelo arrocho tributário é obrigado a bancar a folha de pagamento de ativistas que trabalham diuturnamente contra a própria liberdade de escolha do consumidor de votos.
E o cinismo da corte atinge o ápice quando analisamos os fatos documentados sobre a fé popular. A mentira ganhou tração após ser alavancada pela jornalista Maria Cristina Fernandes no Valor Econômico e nos estúdios da GloboNews, sem qualquer checagem prévia. Mas sabe quem de fato cometeu um ato concreto contra a padroeira? O próprio governo federal. Anos atrás, o Planalto havia publicado o ato solene de consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida. Pois bem: a gestão atual mandou deletar silenciosamente essa página inteira do portal Gov.br, como qualquer um pode comprovar consultando os registros preservados pelo Web Archive. O governo que apaga marcos históricos quer pousar de defensor da fé.
Por coerência libertária e respeito inegociável à liberdade de expressão, eu rejeito veementemente pedidos de prisão cautelar motivados por discursos, postagens ou opiniões em plataformas digitais. Não se combate a tirania burocrática inflando o poder discricionário de tribunais de exceção que amanhã se voltarão contra o cidadão comum. O recurso de Flávio Bolsonaro ao TSE pedindo mandado de prisão funciona como uma provocação calculada para expor a covardia do sistema, mas o cerne da questão é exclusivamente administrativo e penal: o evidente abuso de poder político e econômico, com a utilização da máquina pública e da Secom como engrenagem clandestina de propaganda eleitoral.
A boa notícia para a liberdade é que a eficácia dessas velhas táticas centralizadas de difamação está derretendo diante das redes descentralizadas. No passado, uma mentira propagada no horário nobre de um canal hegemônico definia eleições inteiras sem permitir qualquer contraditório. Hoje, a resposta coordenada desmonta a fraude em questão de horas, deixando os trackings internos dos burocratas no mais absoluto desespero. Para neutralizar o veneno transmitido aos rincões do país onde a internet ainda não prevalece, a oposição já solicitou direito de resposta no mesmo espaço televisivo, pretendendo escalar um padre para esclarecer a verdade diretamente ao público que depende das concessões públicas.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Toda essa encenação grotesca expõe a decadência de um regime que perdeu o controle sobre a verdade e agora tenta forçar narrativas artificiais pelo desespero de perder a chave do cofre.
Não espere honestidade de burocratas e jamais delegue sua percepção da realidade ao tribunal da imprensa oficial; sua blindagem vem da descentralização da informação, do ceticismo implacável e da proteção do seu próprio patrimônio contra os caprichos de Brasília. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.