BRASIL E MUNDO — Abertura
O presidente da República reuniu setecentos grandes empresários em São Paulo para exigir lealdade cega, afirmando sem qualquer pudor que a escolha do país é entre ele próprio e a barbárie pura e simples. Diante de banqueiros e industriais, o mandatário cobrou apoio político com a arrogância típica de quem se enxerga como a encarnação insubstituível do poder.
O contraste cético aqui beira o teatro do absurdo. O mesmo governante que passou a carreira inteira atacando a responsabilidade nas contas públicas e chamando superávit primário de tolice agora sobe ao palanque corporativo para posar de fiador da ordem econômica e da prudência orçamentária para a plateia de terno e gravata.
Só que o detalhe escuso que os bajuladores de plantão tentam esconder sob o tapete revela uma conta gigantesca, e eu vou dissecar agora a engrenagem que está drenando o bolso de quem realmente produz neste país.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Repare bem na mecânica dessa encenação. O evento no hotel Tivoli juntou executivos de gigantes como Itaú, Vale e Cosan, organizado por entidades de convescote corporativo para ouvir ministros econômicos e o chefe do Executivo. A mensagem central foi clara e autoritária: ou vocês aceitam a nossa tutela burocrática e pagam a conta sem chiar, ou o país descamba para o abismo. O governo vende a ideia de que representa a totalidade da nação, enquanto opera unicamente para sustentar a máquina arrecadatória e o balcão de emendas que compra apoio parlamentar. O pagador de impostos assiste a essa barganha de camarote, servindo apenas como pagador forçado dessa fatura exorbitante.
O arranjo de incentivos perversos é cristalino. A cúpula estatal precisa desesperadamente de arrecadação recorde para cobrir a gastança desenfreada, inventando taxação de compras internacionais, aumentando alíquotas e impondo regras punitivas sobre o consumo cotidiano. Quando o governo se gaba de governar para a maioria, está na verdade transferindo renda de quem acorda cedo para grupos de pressão, empreiteiros e o topo do sistema financeiro que lucra com títulos da dívida pública nas alturas. Para o cidadão comum e o pequeno comerciante, sobram apenas a burocracia sufocante e a corrosão do poder de compra pela via inflacionária.
O roteiro é sempre o mesmo. Se o Estado brasileiro fosse uma corporação privada no mercado aberto, já teria encerrado suas operações por insolvência fraudulenta. Imagine uma empresa com fluxo de caixa destruído, passivo impagável e histórico crônico de quebras que convoca seus clientes para dizer que eles são obrigados a renovar o contrato com a diretoria incompetente. No livre mercado, qualquer consumidor simplesmente cancela o serviço e busca concorrência competente. Na esfera pública, no entanto, o monopólio da coerção impede a rescisão e ainda exige aplausos dos pagadores cativos sob ameaça constante de penalidades fiscais.
E sabe o que é mais cínico nisso tudo? O discurso oficial finge zelar pela disciplina fiscal, mas o presidente ataca sistematicamente o teto orçamentário e culpa a autonomia do Banco Central pelas taxas de juros elevadas. Quem gera inflação e força o aperto monetário é exatamente a voracidade estatal em torrar recursos que não possui. A taxa básica de juros não sobe por capricho de burocratas da autoridade monetária, e sim porque o mercado exige um prêmio de risco gigantesco para emprestar dinheiro a um pagador compulsivo que se recusa a cortar despesas na própria carne.
O resultado prático dessa farra populista é visível na economia real, com uma explosão sem precedentes nos pedidos de recuperação judicial e falência por todo o país. O governo cria medidas sem sustentação, faz recuos patéticos após a repercussão negativa, como vimos nos casos das apostas eletrônicas e da taxação de produtos importados, e depois tenta vender essa bagunça como prova incontestável de experiência administrativa. Experiência de verdade não é passar décadas errando e repetindo fórmulas arcaicas que produzem recessão, juros estratosféricos e quebra de contratos.
Pois é, a realidade não aceita bravata de palanque. Chamar a própria ineficiência de estabilidade institucional e acusar qualquer alternativa de ser a barbárie é o cúmulo do cinismo. O próprio histórico de desmandos fiscais e esquemas de aparelhamento desmente essa retórica vazia. Colocar o país nessa situação caótica e depois subir ao palco para dar lição de moral nos empresários mostra apenas o desespero de uma elite política que vê o seu castelo de cartas desmoronar diante dos fatos econômicos.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
A pretensão de se colocar como salvação da pátria enquanto se destrói a moeda e a solvência produtiva do país resume perfeitamente a farsa estatal. Não existe milagre econômico quando o Estado trata o setor produtivo como mero espólio a ser saqueado para financiar privilégios políticos.
A única resposta racional e consistente diante desse teatro intervencionista é buscar a descentralização, proteger sua família e blindar o seu patrimônio de maneira privada, sem jamais nutrir falsas esperanças em salvadores da pátria em Brasília. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.