BRASIL E MUNDO — Abertura

O Estado cria o problema, explode o mercado com canetadas e impostos, e depois posa de salvador da pátria proibindo aquilo que ele mesmo autorizou.

A narrativa oficial tenta vender isso como uma cruzada moral em defesa do cidadão, mas a realidade nua e crua é o bom e velho vício estatal por arrecadação a qualquer custo.

O detalhe que a grande imprensa fez questão de esconder nas entrelinhas é que a engrenagem fiscal continua intacta, e a conta dessa conta-corrente furada sobra sempre para o seu bolso.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Vamos colocar os pingos nos is e olhar para os fatos com um mínimo de rigor intelectual, sem cair nos eufemismos que os gabinetes de Brasília tentam nos empurrar. Foi exatamente no final de dois mil e vinte e três que a sanha arrecadatória do governo encontrou nas apostas esportivas o pote de ouro que faltava para inflar o tesouro nacional. O Executivo regulamentou, abriu a porteira, estimulou a enxurrada de patrocínios nos clubes de futebol e carimbou a liberação porque o que realmente importava era o fluxo de caixa para alimentar a máquina pública. Agora, diante da conveniência eleitoral, o discurso muda do avesso e a culpa é jogada no colo do mercado.

O roteiro é sempre o mesmo e a lógica operacional nunca falha. Imagine por um segundo que o Estado fosse uma empresa privada administrada com esse nível de incompetência e cinismo. Se uma corporação inventasse um produto, forçasse os clientes a consumirem sob o argumento de que a gestão sabe o que é melhor, e depois proibisse o serviço da noite para o dia por puro cálculo marqueteiro, estaria falida em semanas e seus diretores responderiam por fraude. Mas como o monopólio da violência e da coerção está blindado pela burocracia, o cliente cativo — que é você, pagador de impostos — não pode simplesmente cancelar a assinatura e procurar outro fornecedor.

E o paralelo com a famosa taxa das blusinhas é de uma precisão cirúrgica que chega a dar vergonha alheia nos defensores da intervenção estatal. Criaram alíquotas abusivas, esmagaram o consumidor com o remessa conforme e o ICMS encarecendo as compras internacionais, e quando a pressão popular ameaçou as urnas, fingiram recuar cortando apenas uma fração da mordida enquanto as outras continuavam ativas. O resultado prático é que o cidadão continua pagando mais caro do que pagava no passado. No universo das bets o modus operandi é idêntico: proíbem a propaganda e fecham a fachada física, mas ignoram solenemente que a internet opera sem fronteiras e que o mercado apenas migra para redes descentralizadas via VPN.

O intervencionismo delirante parte sempre da premissa autoritária de que o indivíduo é um menor de idade incapaz de gerenciar a própria vida, as próprias finanças ou o próprio lazer. Tratam o brasileiro como um súdito submisso que precisa ser tutelado por burocratas benevolentes que nunca produziram um centavo de riqueza real na iniciativa privada. Se alguém decide gastar o próprio dinheiro no cassino ou na plataforma de apostas, a responsabilidade é inteiramente dele, do CPF dele, da consciência dele. A liberdade individual exige o direito sagrado de errar, de perder e de aprender com as próprias escolhas, sem que um fiscal do governo decida o que é moralmente aceitável para o seu tempo livre.

Parece piada, mas o mesmo governo que diz proteger o pobre é o que desenha marcos regulatórios sob medida para proteger cartéis empresariais amigos do rei que não conseguem competir no livre mercado. Quando o Planalto sufoca o comércio internacional ou chantageia o ecossistema do futebol com reviravoltas jurídicas repentinas, o que se produz na veia da economia é um clima tóxico de absoluta insegurança jurídica. Investidores fogem, empresas reduzem operações, empregos somem e a inflação corrói o poder de compra de quem trabalha. O custo oculto dessa farra legislativa recai implacável sobre o trabalhador que apenas tenta sobreviver em meio ao caos institucional patrocinado por Brasília.

E sabe o que é mais cínico nessa história toda que finge debater a salvação do esporte nacional? Os clubes de futebol foram incentivados a assinar contratos milionários de patrocínio, estruturaram orçamentos inteiros baseados nessa nova fonte de receita e agora assistem atônitos à cartada político-eleitoral que ameaça implodir o planejamento financeiro de anos. Se o governo precisava de dinheiro para cobrir o rombo fiscal gerado por gastos públicos descontrolados, a culpa não é da tecnologia ou da livre escolha das pessoas, mas da gula insaciável de uma casta política que gasta mais do que arrecada e depois tenta terceirizar a culpa para a realidade econômica que ela própria destruiu.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim das contas, a promessa de desfazer o próprio estrago não passa de uma estratégia eleitoreira cínica que confirma uma regra básica da economia: o Estado gera o caos, cobra caro para fingir que resolve e deixa o cidadão no prejuízo.

Proteja sua família, defenda seu patrimônio e aposte sempre na sua independência financeira longe das garras da burocracia estatal. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.