BRASIL E MUNDO — Abertura

Seis milhões de reais em comissão para liberar dinheiro público que já foi arrancado do seu bolso. Esse é o valor exato cobrado por uma lobista ligada ao filho do presidente da República para destravar recursos federais destinados a obras de pavimentação no estado do Maranhão.

O discurso oficial da imprensa tradicional insiste em vender a narrativa fofa de cooperação federativa e investimentos em infraestrutura social. Mas, nos bastidores do Palácio do Planalto, a engrenagem estatal só se move quando o pedágio dos intermediários certos é devidamente pago.

Mas o detalhe que a grande imprensa fez questão de enterrar nas notas de rodapé muda todo o jogo, e eu vou te mostrar agora o tamanho da conta: o próprio presidente atropelou a burocracia dos ministérios para autorizar a verba pessoalmente.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Entre outubro de dois mil e vinte e quatro e janeiro de dois mil e vinte e cinco, a empresa RL Consultoria faturou seis milhões de reais repassados por empreiteiras do Maranhão. O objetivo declarado era intermediar a liberação de duzentos e vinte e três milhões de reais junto ao governo federal para a ampliação da Avenida Litorânea, em São Luís. Mensagens interceptadas revelaram que a Casa Civil tentou barrar o repasse pela ausência de pareceres técnicos, mas o presidente interveio diretamente para mandar executar a obra. Não há surpresa alguma aqui. Quando a burocracia estatal trava a engrenagem, a propina funciona como o lubrificante que faz a máquina administrativa andar.

Repare na perversidade do modelo federativo brasileiro. O governo central arrecada a maior parte dos impostos do país, gerando uma dependência financeira artificial de estados e municípios em relação a Brasília. Em um livre mercado ou em uma federação descentralizada de verdade, as províncias geririam seus próprios recursos sem precisar mendigar verbas na capital. No entanto, o monopólio estatal obriga os governadores a se curvarem ao poder central. Esse cenário é o ambiente perfeito para o surgimento de lobistas influentes, que vendem facilidades para resolver dificuldades criadas pelo próprio Estado. A burocracia nunca foi um acidente; ela é um modelo de negócios extremamente rentável.

Pense nessa estrutura sob a ótica corporativa pragmática. Se o Brasil fosse uma grande empresa em recuperação judicial, o cidadão seria o cliente cativo, impedido por lei de cancelar o serviço ou migrar para a concorrência. A diretoria da matriz em Brasília confisca noventa por cento do faturamento das filiais regionais e exige propina, relógios de luxo e quadros caros dos gerentes locais para devolver uma fração desse dinheiro. Se qualquer corporação privada operasse de forma tão escandalosa com seus franqueados, seus executivos estariam na cadeia e a empresa falida. Mas, no monopólio da coerção, o cliente pagador de impostos é obrigado a sustentar o prejuízo.

O roteiro é sempre o mesmo.

Além das obras viárias, as investigações apontam que a mesma intermediária atuava fortemente no Ministério da Saúde para agilizar repasses do SUS. Para garantir que as verbas fossem liberadas sem percalços, burocratas do governo foram presenteados com itens de alto luxo, incluindo um relógio de mais de sessenta mil reais e obras de arte caras. A imprensa chama isso de articulação política, mas o nome real é balcão de negócios com o dinheiro do pagador de impostos. Onde quer que exista dinheiro público carimbado e redistribuição forçada de riqueza, a corrupção deixa de ser uma falha e se torna a regra do jogo.

O efeito colateral real de toda essa feira livre de favores é sentido diretamente na ponta, no bolso do cidadão comum. Cada milhão de reais drenado para comissões de lobistas e contratos superfaturados significa menos poder de compra para você e maior endividamento público para o país. A dinheirama que sai de Brasília não surge do nada; ela vem da espoliação contínua via tributos ou da impressão de moeda que gera inflação. O pagador de impostos é punido duas vezes: primeiro quando trabalha meses para sustentar o Estado e depois quando recebe serviços públicos sucateados e caros.

E sabe o que é mais cínico nisso tudo? Os envolvidos tratavam a liberação de recursos públicos como se fossem conquistas pessoais e favores entre amigos de elite. O que deveria ser uma gestão técnica e transparente transforma-se em um espetáculo previsível de compadrio. Enquanto você luta diariamente para manter seu negócio aberto e pagar as contas da sua família, a classe política e seus operadores privados operam no mais absoluto cinismo, certos de que a conta no final do dia será paga por você.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim das contas, esperar ética, transparência ou eficiência do monopólio da violência estatal é uma ilusão infantil. O escândalo do repasse de verbas para o Maranhão é apenas mais uma demonstração de como o sistema foi desenhado desde a origem para concentrar poder, distribuir privilégios e espoliar os indivíduos produtivos.

Diante desse circo institucional imprestável, a única atitude sensata é buscar a soberania individual. Proteja a sua família, blinde o seu patrimônio com ativos descentralizados e reduza ao máximo a sua dependência em relação aos mandos e desmandos da política partidária. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.