BRASIL E MUNDO — Abertura

Novas mensagens vazadas pela Polícia Federal jogam luz sobre os bastidores daquele contrato desastroso entre a Petrobras e a Unigel, expondo de forma crua como o aparelho estatal é instrumentalizado para beneficiar os amigos do rei.

Enquanto a liturgia do cargo finge que tudo segue o mais estrito rigor técnico, o noticiário escancara o balcão de negócios onde o Planalto atua como despachante de luxo para salvar negócios privados à custa do bolso do pagador de impostos.

Mas o detalhe que a grande imprensa fez questão de enterrar nas notas de rodapé revela os nomes, os valores e a engenharia exata da pressão que forçou a cúpula da estatal a engolir um prejuízo monstruoso, e eu vou te mostrar agora o tamanho dessa conta.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Para entender essa verdadeira lambança institucional, vale lembrar a história da fábrica de fertilizantes nitrogenados, a Fafem, um ativo estatal que acumulava prejuízos históricos e custos de produção completamente desconectados da realidade de mercado. No governo passado, a tentativa de arrendamento buscou estancar o sangramento, mas quando a conta apertou para a parceira privada, o roteiro socialista padrão entrou em ação — em vez de aceitar o risco do próprio negócio, optou-se pela chantagem corporativa e pela cartilha do lobby pesado. A Unigel assumiu o risco de um contrato de longo prazo assinado em 2020, mas diante do fracasso operacional e da inviabilidade econômica de produzir fertilizantes no Brasil com insumos caros, o caminho natural do mercado seria a renegociação dura, a recuperação judicial ou a falência sem o socorro estatal, aplicando a disciplina capitalista de arcar com os próprios erros.

Parece piada, mas não é. As mensagens encontradas nos celulares apreendidos mostram a articulação direta da lobista Roberta Luchsinger junto com o filho do presidente, o Lulinha, desenhando estratégias para convencer a cúpula do governo a dobrar a espinha da Petrobras. A ideia era simples e rústica: usar o Palácio do Planalto como sucursal de balcão de negócios, combinando reuniões secretas, ameaças de demissão em massa de trabalhadores e pressão direta sobre a diretoria da estatal para garantir um contrato altamente oneroso. A engenharia do 'toma lá, dá cá' funcionava à base de conversas de bastidor, onde a pressão política era aplicada sem pudor, transformando o gabinete presidencial em um centro de distribuição de benesses para os prediletos do regime, ignorando completamente os manuais de governança corporativa.

O caso ilustra com perfeição a falácia do capitalismo de Estado, onde os riscos são socializados e os lucros, privatizados. Se a iniciativa privada fosse gerida como uma empresa real submetida à disciplina de mercado, um contrato deficitário resultaria em falência ou renegociação severa sob a tutela do prejuízo próprio. Mas como o cliente cativo aqui é o contribuinte brasileiro — que não pode cancelar a assinatura desse serviço coercitivo —, o Estado entra com a caneta, o monopólio e o dinheiro público para salvar o parceiro predileto. É a velha analogia da corporação privada que privatiza os bônus com o apoio do governante de plantão e joga o ônus bilionário nas costas do cidadão comum, que trabalha o ano inteiro para sustentar essa engrenagem de compadrio.

O então presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, tentou resistir à pressão, alertando nos bastidores que não colocaria o pescoço a prêmio no Tribunal de Contas da União para avalizar um acordo manifestamente lesivo aos acionistas. A resposta institucional? O rolo compressor do poder político operando a todo vapor para atropelar qualquer freio técnico. O resultado dessa engenharia de compadrio não demorou a aparecer no papel: relatórios técnicos do TCU apontaram um rombo estimado em centenas de milhões de reais para a petroleira, evidenciando falhas crassas de governança e distorções matemáticas absurdas em um arranjo feito sob encomenda para socorrer os afortunados da vez.

E sabe o que é mais cínico nisso tudo? Enquanto os burocratas e os intermediários celebravam o acordo nos salões de Brasília, a fatura dessa brincadeira de gabinete caiu direto no colo da sociedade. A fábrica continuou capengando, a empresa privada entrou em recuperação judicial e a Petrobras absorveu o prejuízo de mais um arranjo político que reedita os piores momentos da era do petrolão. O roteiro é sempre o mesmo: muda o governo, mudam os atores, mas a sanha expropriatória e o saque aos cofres públicos continuam firmes e fortes, provando que o intervencionismo estatal é a ferramenta perfeita para transferir renda do trabalhador produtivo para os tubarões do lobby.

A narrativa oficial tenta emplacar a ilusão de que tudo não passa de conspiração da imprensa ou gestão normal de políticas industriais, mas as mensagens e os dados técnicos escancaram a verdade nua e crua. É a velha política do toma lá, dá cá vestida de eufemismo institucional, onde o cidadão comum trabalha o ano inteiro para pagar impostos que vão direto para o ralo de contratos direcionados e negociatas de bastidor.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim das contas, o escândalo da Unigel é apenas mais um retrato fiel da máquina estatal em funcionamento: corrupção institucionalizada, incentivos perversos e a certeza absoluta de que nenhum político ou apadrinhado jamais pagará a conta pelos rombos que cria.

A única defesa real contra essa máquina de moer riqueza é a descentralização, a proteção estrita do seu patrimônio familiar e a recusa em esperar qualquer solução salvadora vinda de Brasília. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.