BRASIL E MUNDO — Abertura
O PL já fez seis governadores no primeiro turno dessas eleições e Douglas Ruas pode liquidar a fatura no Rio de Janeiro a qualquer instante. Vinte estados da federação já definiram o comando dos seus palácios provinciais, e o partido de oposição cravou uma liderança avassaladora de largada, humilhando o consórcio governista que jurava ter o controle da máquina.
É fascinante observar o desespero do establishment que tentou de todas as maneiras empurrar o Eduardo Paes, o eterno bajulador de plantão do Planalto, goela abaixo do eleitor carioca. A máquina pública fez malabarismos jurídicos inacreditáveis, inventou interventor biônico no palácio Guanabara e jurava que a vitória do queridinho da grande mídia era favas contadas.
Só que o feitiço virou contra o feiticeiro de um jeito espetacular, e uma manobra jurídica obscura de bastidor, que a imprensa tradicional finge não entender, está prestes a explodir no colo do Tribunal Superior Eleitoral. Eu vou te mostrar agora o tamanho do prejuízo dessa turma e como uma simples desistência de recurso jogou o plano deles no lixo.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
Olha só o tamanho do estrago para a narrativa oficial. Dos vinte estados que liquidaram a fatura de vez, o PL fechou cinco vitórias diretas confirmadas e pode subir para seis. O partido levou Marcos Rogério em Rondônia, Arthur Henrique em Roraima, Zucco no Rio Grande do Sul, Jorginho Mello em Santa Catarina e Sérgio Moro no Paraná. No Sul do país, o PL simplesmente gabaritou tudo, sem dar margem para respirar. Em São Paulo, o Tarcísio de Freitas humilhou Fernando Haddad com mais de sessenta e dois por cento dos votos válidos, enquanto o queridinho da Fazenda não bateu nem quarenta por cento. Foi uma surra eleitoral histórica, e o resultado nacional escancarou o encolhimento da esquerda nos centros produtivos. Mas o verdadeiro circo de horrores aconteceu mesmo foi nos bastidores do Rio de Janeiro.
Para você entender a podridão desse jogo, repare no que fizeram com a sucessão fluminense. Quando Cláudio Castro renunciou e o vice foi acomodado no Tribunal de Contas, a linha sucessória natural colocaria Douglas Ruas, presidente da Alerj, no comando do governo estadual. Mas deixar um nome forte da oposição na cadeira de governador em ano eleitoral apavorou os caciques do PSD e do PT. O que eles fizeram? Acionaram o compadrio em Brasília. Numa canetada esdrúxula, Flávio Dino e Gilmar Mendes atropelaram a sucessão constitucional e enfiaram Ricardo Couto, um desembargador que não recebeu um único voto do cidadão, como governador biônico do estado. Uma aberração típica de regimes autoritários, aplaudida com entusiasmo pelas emissoras corporativas que agora fingem amnésia. Só que a intervenção judicial foi apenas o primeiro passo de um golpe que saiu completamente pela culatra.
O roteiro deles parecia infalível nas planilhas do marketing eleitoral. Como Anthony Garotinho tinha condenações antigas que barravam sua candidatura pela ficha limpa, o Tribunal Regional Eleitoral indeferiu seu registro. Aí o ministro Floriano Marques, aquele mesmo ligado ao Supremo, concedeu uma liminar providencial para colocar o Garotinho na disputa. O objetivo era óbvio e puramente maquiavélico: dividir os votos conservadores no interior fluminense para impedir que Ruas decolasse. Quando viram que Ruas continuava crescendo e ameaçava vencer, tentaram puxar o freio de mão e ameaçaram anular os votos de Garotinho para inflar a porcentagem artificial de Eduardo Paes. O problema do burocrata é achar que a realidade obedece às suas vontades cartoriais.
O plano deles ruiu. Se o Estado brasileiro fosse uma corporação privada, seus diretores já estariam demitidos por incompetência manifesta e gestão fraudulenta. Pense no governo como uma empresa falida e ineficiente que mantém seus clientes como reféns compulsórios, proibidos de cancelar o serviço sob ameaça de cadeia e confisco fiscal. Toda vez que essa diretoria corrupta lança uma manobra de mercado para prejudicar um concorrente indesejado, ela consegue sabotar a si mesma de forma ridícula. O público cativo do Rio de Janeiro simplesmente rejeitou o produto ofertado pela matriz brasiliense. Quando as urnas abriram, o baque foi gigantesco e expôs a fragilidade dos marqueteiros que comandam a máquina pública.
Douglas Ruas cravou quarenta e nove vírgula sete por cento dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Eduardo Paes patinou com pouco mais de quarenta e dois por cento, muito abaixo do que as pesquisas encomendadas anunciavam. Ruas ficou a menos de meio por cento de liquidar a eleição de primeira, mesmo com todos os votos computados para Garotinho. E aqui entra a comédia burocrática mais deliciosa dessa eleição: com Garotinho desistindo formalmente do recurso no Tribunal Superior Eleitoral, o ato de desistência é unilateral e irretratável. Com os votos dele compulsoriamente declarados nulos, o bolo de votos válidos diminui, e a fatia do Douglas Ruas dispara para mais de cinquenta e dois por cento dos votos válidos. A vitória no primeiro turno é matemática pura.
E sabe o que é mais cínico nisso tudo? Veja a reação patética do aparato midiático alinhado ao regime. Antes da eleição, os jornais da TV Globo faziam campanha aberta pela anulação imediata dos votos de Garotinho, achando que isso daria a vitória de bandeja para Eduardo Paes no primeiro turno. Agora que a anulação liquida a fatura e consagra o candidato do PL sem necessidade de segundo turno, o silêncio dessa turma é ensurdecedor. De repente, nenhum comentarista quer falar sobre a lei eleitoral. O desespero da oligarquia carioca é evidente, porque o candidato deles prometia abrir os cofres do estado para torrar milhões em shows de Madonna em Copacabana e camarotes exclusivos para apaniguados, enquanto o contribuinte se afoga na lama e na insegurança cotidiana. O cliente forçado do estado cansa de bancar essas palhaçadas.
Olhando para o mapa do país, o quadro é idêntico: o PT sobreviveu apenas em três feudos nordestinos, como Bahia, Ceará e Piauí, bancados a peso de ouro pelo fluxo contínuo do caixa federal e pela compra implícita de dependência econômica. Nos estados onde a riqueza é gerada pelo mercado, a rejeição ao modelo estatista foi acachapante. Seis estados e o Distrito Federal ainda vão enfrentar segundo turno, com Celina Leão prestes a confirmar a vitória em Brasília, onde bateu quase cinquenta por cento no primeiro turno. O centrão fisiológico do PSD ainda tenta se agarrar a nacos regionais sob o comando de Gilberto Kassab, mas a tendência de esfarelamento da esquerda tradicional é visível até para os observadores mais desatentos. Eles aparelham o judiciário, censuram opositores, manipulam regras no meio da partida, mas não conseguem estancar a fuga do eleitor.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Diante de tantas manobras de gabinete, juízes legislando na prática e políticos tentando decidir o vencedor no tapetão do tribunal, você ainda acredita que a urna eletrônica ou a burocracia de Brasília representam a vontade legítima e livre de quem produz riqueza nesta nação?
O espetáculo eleitoral serve para legitimar o roubo legalizado chamado imposto, mas a sua sobrevivência real depende de você mesmo. Proteja o seu patrimônio, blinde a sua família, busque a descentralização e não espere salvação de nenhum governador de plantão. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.