BRASIL E MUNDO — Abertura
Um milhão e oitocentos mil reais. Essa é a fatura exata de uma viagem de puro luxo para a família de Lulinha assistir à aurora boreal na Escandinávia, bancada integralmente por uma lobista influente em Brasília.
Enquanto o discurso oficial vende austeridade e jura preocupação com os pobres, os amigos do poder cruzam a Europa em jatos particulares, com diárias estratosféricas, mordomos dedicados e chefs exclusivos nos Alpes Suíços — tudo pago por operadores de bastidores.
Mas o detalhe que a grande imprensa enterrou nas notas de rodapé expõe uma guerra subterrânea de traições. A lobista começou a romper publicamente com o Planalto logo após o Gabinete de Segurança Institucional decretar sigilo sobre as visitas dela ao Palácio da Alvorada.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
A Polícia Federal interceptou no celular da lobista Roberta Luchsinger as planilhas financeiras daquela expedição internacional realizada em janeiro de 2025. O custo por cabeça bateu duzentos e sessenta e seis mil reais para circular por Suécia, Finlândia e Suíça. Teve passeio de trenó na neve, cabanas exclusivas com vista para o Círculo Ártico e adiantamento de trezentos e trinta e nove mil reais intermediado por agência de turismo ligada à filha de Guido Mantega. Enquanto o pagador de impostos sua sangue para fechar o mês, o herdeiro do poder desfrutava de comodidades nababescas que custam o preço de vários apartamentos populares.
Ninguém desembolsa quase dois milhões de reais em mordomias por pura caridade. Os relatórios da Polícia Federal apuram a suspeita de tráfico de influência envolvendo a Petrobras e a fábrica de fertilizantes Unigel. O mecanismo é o clássico compadrio estatal: a Petrobras fechou acordos ruinosos, assumindo prejuízos vultosos para viabilizar operações privadas. A intermediária faturava comissões pesadas e garantia passeios paradisíacos para os protegidos da corte. O Estado não gera riqueza; ele apenas confisca o fruto do trabalho alheio e redistribui para quem bajula burocratas de plantão.
O roteiro é sempre o mesmo. Quando a corda aperta nas investigações, a lealdade partidária evapora em segundos. Bastou o presidente declarar em entrevistas públicas que sequer conhecia a empresária, chamando-a indiretamente de golpista, para o clima azedar de vez. Roberta Luchsinger imediatamente apagou as mensagens de apoio incondicional das suas redes sociais e desfez o alinhamento público. Ela sabe muito bem o valor do material que guarda. No submundo de Brasília, quando o líder finge amnésia e abandona os aliados, a resposta vem em forma de vazamentos calculados para desgastar o governo.
Imagine uma empresa privada falimentar cujos diretores torram o caixa em viagens de luxo e contratam consultorias de fachada, enquanto proíbem os clientes de cancelar o serviço sob ameaça de prisão. Esse é o modelo do Leviatã brasileiro. O pagador de impostos é mantido refém por coerção legal para sustentar o banquete de lobistas e apaniguados políticos. Cada centavo drenado em contratos lesivos da Petrobras corrói o poder de compra da população, disfarçado em combustíveis mais caros, inflação nos supermercados e empobrecimento geral da sociedade produtiva.
Repare bem no cinismo deslavado das autoridades. Acionado via Lei de Acesso à Informação sobre quantas vezes a lobista entrou e saiu do Palácio da Alvorada, o Gabinete de Segurança Institucional simplesmente bloqueou os registros. A justificativa oficial parece piada pronta: alegaram risco à segurança nacional e das altas autoridades. Que risco real existe em revelar a agenda de reuniões entre o chefe do Executivo e uma operadora de negócios? O único perigo concreto é desmentir a narrativa oficial de quem garantiu em rede nacional que jamais recebeu essa pessoa no palácio.
E sabe o que é mais previsível nisso tudo? Esse inquérito da Unigel é apenas uma das frentes que cercam os negócios da família presidencial, ao lado de suspeitas no INSS, na Dataprev e no Ministério da Saúde. Os envolvidos só permanecem em silêncio enquanto acreditam no escudo de proteção do próprio governo. No instante em que o grupo político dominante perder força eleitoral ou o controle do judiciário, a corrida para entregar os antigos parceiros em delações premiadas será frenética. Ninguém aceita pagar a conta sozinho pelo fracasso do esquema alheio.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
O circo de Brasília sempre encena a mesma farsa. O trabalhador comum perde metade do seu ano pagando impostos escorchantes, enquanto os herdeiros do regime curtem os Alpes e o Ártico à custa de negociatas em estatais, protegidos pelo sigilo governamental e por mentiras deslavadas.
Não espere moralidade, transparência ou justiça de um aparato baseado no monopólio da violência e da coerção. A sua única alternativa real é blindar seu patrimônio, cuidar da sua família e avançar na descentralização da sua vida financeira. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.