BRASIL E MUNDO — Abertura

A ideia genial de Washington agora é simplesmente proibir a exportação de diesel americano para tentar segurar preços na marra antes das eleições de meio de mandato.

Claro, o governo pinta a medida como uma caridade paternalista para o consumidor, enquanto esconde a fatura cruel que vai cair direto no colo de quem depende do combustível para rodar o país.

Mas o detalhe que a grande imprensa enterrou nas notas de rodapé revela como essa canetada pode secar os postos brasileiros de uma hora para a outra, e eu te mostro o tamanho desse rombo agora.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

Para entender o tamanho do estrago, olhe para o tabuleiro global de energia e analise os dados da Reuters e da Trading Economics. O Estreito de Ormuz segue sob tensão crônica, o tráfego de petroleiros engasga com a ameaça dos Houthis e a Ucrânia transforma refinarias russas em ferro-velho quase diariamente, destruindo capacidade produtiva essencial, como o ataque devastador à refinaria de Kapotnia em Moscou. Sem o diesel russo no mercado internacional — com a proibição de exportação estendida por Moscou até outubro —, a escassez global já é uma realidade palpável. O barril oscila na faixa dos oitenta dólares, o refino aperta e o mundo inteiro passa a disputar cada gota disponível nas refinarias restantes, gerando um efeito cascata que atinge diretamente as cadeias logísticas internacionais e pressiona as margens operacionais de transportadoras em todos os continentes.

É aqui que entra a genialidade estatal em modo de pânico eleitoral diante das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Quando a escassez aperta, a resposta do político nunca é deixar o mercado funcionar, mas sim erguer barreiras e decretar monopólios forçados. A ideia ventilada por Trump de proibir as exportações de diesel dos Estados Unidos — mesmo que a Casa Branca depois negue e os futuros do produto caiam momentaneamente — segue a mesma cartilha estatista de sempre: tentar fingir controle sobre um preço que é global por definição. O resultado prático dessa intervenção é destruir a cadeia de suprimentos e empurrar parceiros comerciais tradicionais como França, Inglaterra, México, Chile, Peru e Brasil para o escuro, demonstrando a total falta de previsibilidade e segurança jurídica nas relações comerciais internacionais.

Parece piada, mas não é. O roteiro é sempre o mesmo.

Faça o exercício mental de enxergar o Estado como uma empresa privada administrada por gerentes incompetentes à beira da falência. Se uma companhia decide arbitrariamente suspender a venda de seus produtos para os próprios clientes fiéis sob o pretexto de salvar a gerência, o que acontece no dia seguinte? O cliente vai embora, busca outro fornecedor e nunca mais assina contrato com quem demonstra total falta de confiabilidade, destruindo sua própria reputação internacional. No mercado real, fornecedor que brinca de fechar a porta quebra. Na política, quem quebra é o cidadão cativo que precisa pagar a conta da ineficiência.

E sabe o que é mais cínico nisso tudo?

Enquanto os burocratas discutem malabarismos eleitorais e os riscos globais apontados pelo CEO da TotalEnergies em debates no Rio de Janeiro se concretizam, o Brasil assiste ao espetáculo na primeira fila com a corda no pescoço. Como apontam análises do Brazil Journal, o país já importa volumes massivos de diesel americano justamente porque foi cortado do suprimento russo. Se os Estados Unidos fecham a torneira das exportações, a conta chega pesada para o setor produtivo nacional, especialmente para os agricultores do sul e do centro-oeste que já relatam dificuldades de abastecimento devido à escassez local combinada com a sanha de congelar preços por decreto, encarecendo o frete de forma irreversível.

Para coroar a festa da burocracia, Washington ainda assina leis de sanções pesadas contra a Rússia e Putin, com ameaças de tarifas de até cem por cento sobre países que mantêm laços energéticos com Moscou, impactando indiretamente nações que importam combustíveis. Mesmo que o Brasil neste momento não esteja comprando diretamente da Rússia devido ao colapso produtivo de lá, a qualquer sinal de retomada ou desvio de rota, o peso das sanções secundárias e da legislação punitiva pode cair sobre a economia nacional como uma bigorna. A sanha arrecadadora e intervencionista não conhece limites territoriais e coloca o empresariado brasileiro em constante risco de penalizações arbitrárias.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

O resultado dessa sinfonia de incompetência estatal é previsível: quanto mais o governo tenta controlar o fluxo de energia com canetadas e proibições, mais escassez e inflação ele entrega para o pagador de impostos. O plano de fechar exportações para ganhar eleição é apenas o desespero de quem usa a máquina pública como bote salvavidas particular, custe o que custar ao resto da sociedade.

Diante desse show de horrores burocráticos, não espere nenhuma solução mágica de Brasília ou de Washington. Proteja sua família, diversifique seu patrimônio e blinde sua liberdade longe das amarras estatais. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.