BRASIL E MUNDO — Abertura
O Tribunal Superior Eleitoral desferiu um golpe cirúrgico aqui no Rio de Janeiro ao simplesmente anular os votos de Garotinho para garantir a vitória de Eduardo Paes logo no primeiro turno.
A versão contada nos gabinetes burocráticos de Brasília tenta vender isso como zelo institucional, mas a realidade nua e crua é que a canetada salvou um aliado político em apuros diante do crescimento do adversário nas pesquisas.
O detalhe jurídico que a grande imprensa fez questão de enterrar nas notas de rodapé escancara uma inversão total de lógica processual, e eu vou te mostrar agora como essa manobra redefine o resultado das urnas.
BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento
O mecanismo técnico dessa intervenção é de uma audácia ímpar. O ministro Floriano de Azevedo Marques resolveu revogar justamente a medida cautelar que ele próprio havia concedido no início do ano para permitir que Anthony Garotinho concorresse sub judice. Na prática, a candidatura foi mantida nas urnas para captar votos, mas a decisão repentina determina que esses sufrágios sejam considerados nulos para todos os efeitos de cálculo da disputa. É o arranjo perfeito para inflar artificialmente o percentual de Eduardo Paes e empurrá-lo para a marca dos cinquenta e um por cento dos votos válidos, eliminando qualquer chance de segundo turno. Olhe bem para esse arranjo burocrático e me diga se isso faz qualquer sentido lógico para além da conveniência partidária.
Os incentivos perversos desse modelo saltam aos olhos de qualquer observador lúcido. Quem comanda a máquina estatal age como um cartel corporativo que protege seus próprios interesses e sufoca a concorrência política pela raiz. Se o Estado fosse uma empresa privada de prestação de serviços que operasse com esse nível de manipulação de resultados e imposição de regras retroativas, já estaria falida e seus gestores responderiam por fraude contratual. Mas como o cliente não tem o direito de cancelar a assinatura desse monopólio da violência, o pagador de impostos continua arcando com a fatura de um sistema que decide o vencedor da eleição na base da canetada judicial. E sabe o que é mais cínico nisso tudo? O roteiro é sempre o mesmo.
A dinâmica eleitoral do Rio de Janeiro sempre foi marcada por essa divisão profunda entre a capital e o interior, um fator que a tecnocracia brasiliense tentou neutralizar à força. As pesquisas mostravam Eduardo Paes caindo e Douglas Ruas escalando na preferência, impulsionado justamente pela base eleitoral de regiões como Campos e São Gonçalo, que historicamente rejeitam a concentração de poder na capital. Com o voto de Garotinho congelado e descartado do denominador, a engrenagem matemática foi forçada para evitar o confronto direto no segundo turno, onde o cenário indicava um empate técnico altamente desfavorável para a turma do Paes. Parece piada, mas não é.
O efeito colateral dessa engenharia jurídica recae diretamente sobre o cidadão cativo, que assiste impotente à supressão do seu poder de escolha sob o pretexto de salvaguardar a estabilidade institucional. Quando tribunais superiores decidem inverter precedentes para moldar o resultado das urnas conforme a conveniência dos aliados de Brasília, o pacto democrático vira letra morta e o voto popular transforma-se em mero adorno retórico. E por trás dessa ânsia toda pelo controle do Palácio Guanabara existe um objetivo tático muito claro que vai muito além da administração municipal ou estadual, envolvendo diretamente a geopolítica do poder em Brasília.
A obsessão de controlar o estado do Rio de Janeiro tem raízes profundas na estratégia de neutralização da oposição e na proteção de estruturas de poder consolidadas na capital fluminense. Basta lembrar o precedente desastroso do governo de Wilson Witzel e o festival de operações políticas desenhadas para alvejar a família Bolsonaro e os adversários do establishment. Quem comanda o Executivo estadual precisa estar alinhado aos interesses da nomenklatura para garantir que investigações, dossiês e manobras nos bastidores continuem correndo sem resistência institucional. É a velha política operando com a precisão de um relógio suíço.
Diante desse tabuleiro viciado, o eleitor que pretendia votar em Garotinho se vê diante de uma armadilha institucional escancarada, onde insistir na escolha original significa rasgar o próprio voto em praça pública. A única saída pragmática para furar o bloqueio imposto pela corte é redirecionar esse capital político para Douglas Ruas, alterando a dinâmica que os burocratas tentaram desenhar nos bastidores. É a velha história: quando as regras do jogo são alteradas no meio da partida pelos donos da banca, o indivíduo precisa recalcular a rota com frieza e pragmatismo absoluto.
BRASIL E MUNDO — Fechamento
Até quando o cidadão vai continuar aceitando passivamente que tribunais superiores decidan quem vence a eleição antes mesmo de a última urna ser apurada?
Proteja sua família, blindar seu patrimônio e aposte na descentralização da sua vida, porque esperar justiça de tribunal político é perda de tempo. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.