BRASIL E MUNDO — Abertura

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná conseguiu superar os próprios limites da burocracia estatal ao ordenar a desativação imediata de todas as redes sociais de Deltan Dallagnol, proibindo qualquer propaganda a poucos dias da eleição.

A lógica da burocracia judiciária é simplesmente fascinante: confirmam que a candidatura dele ao Senado é absolutamente válida e regular sob o número 300, mas cortam sumariamente a única ferramenta direta que ele tem para dialogar com o eleitorado.

Mas o detalhe que a grande imprensa prefere esconder nas entrelinhas revela o verdadeiro xadrez de barganha política por trás dessa canetada, e eu vou te mostrar agora quem realmente ganha com esse teatro e o tamanho dessa conta.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

O mecanismo técnico por trás dessa decisão do TRE do Paraná é um monumento ao cinismo institucional. O candidato teve seu registro homologado e figura oficialmente na disputa com o número 300 pronto para receber votos, mas foi amordaçado na reta final do pleito com a suspensão forçada do seu Instagram. Quem acompanha a realidade política sabe que a grande massa do eleitorado decide seu voto para o Senado nos últimos dias, dependendo de campanhas ativas nas redes para conhecer as propostas. Ao bloquear a presença digital de Deltan sem cassar sua candidatura, a justiça eleitoral cria um limbo perverso: o cidadão comum fica cego sobre quem está concorrendo, enquanto as máquinas partidárias tradicionais garantem vantagem desleal.

Pense nisso como uma corporação privada que aceita o pagamento do cliente, valida a assinatura do contrato, mas o proíbe terminantemente de acessar o catálogo de produtos para garantir a vitória do fornecedor concorrente preferido da diretoria. Se uma empresa privada operasse com o rigor ético e a arbitrariedade dessa burocracia estatal, seus diretores já estariam processados por fraude e a firma teria falido no primeiro trimestre. O problema é que o pagador de impostos é um cliente forçado que não pode simplesmente cancelar a assinatura desse ecossistema. Nós sustentamos uma estrutura judiciária caríssima que atua como reguladora de mercado, alterando as regras do jogo no meio da partida para proteger privilégios.

O roteiro se repete e os incentivos contam a verdadeira história por trás da toga. Por que a corte não impugnou a candidatura de uma vez por todas? A resposta está na barganha pelo futuro das cortes superiores em Brasília. Os magistrados evitam cortar a cabeça do candidato de forma definitiva para manter as portas abertas a negociações com quem quer que venha a ocupar o Palácio do Planalto, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, já que novas indicações ao Supremo Tribunal Federal e ao TSE estão em jogo. É o corporativismo judiciário recalculando a rota a todo momento. A aplicação da regra jurídica vira moeda de troca valiosíssima para quem busca ascensão e favores no aparato estatal.

E o ápice do deboche reside no fato de que o pretexto usado para calar a propaganda de Deltan é rigorosamente o mesmo argumento capcioso utilizado para cassar seu mandato de deputado federal logo após o pleito anterior. O sistema jurídico opera como um balcão de alfândega onde a lei estica ou encolhe conforme a conveniência de quem está no poder. Toda a estrutura da Operação Lava Jato foi desmantelada para garantir a anulação de condenações e a soltura de velhos conhecidos do colarinho branco. Os corruptos comemoram rindo de orelha a orelha enquanto o pagador de impostos assiste ao espetáculo de uma justiça que persegue quem combateu a roubalheira.

O efeito colateral dessa censura prévia recai diretamente sobre a clareza do processo democrático. O histórico eleitoral brasileiro mostra que disputas para o Senado sofrem guinadas imprevisíveis porque o eleitor médio não pesquisa nomes com antecedência. Vimos isso em 2018 com Dilma Rousseff em Minas Gerais, que liderava todas as pesquisas pelo simples reconhecimento de nome, mas desidratou para o quinto lugar na hora do voto real. Ao apagar o perfil de um candidato viável do mapa digital, o tribunal induz o eleitor desavisado ao erro e favorece artificialmente máquinas partidárias como a de Gleisi Hoffmann ou nomes do PSD no Paraná, manipulando o resultado das urnas.

A disputa no Paraná virou um tabuleiro de interesses cruzados entre nomes como Cristina Graeml, Felipe Barros, Paulo Martins e Alexandre Curi, exigindo atenção do eleitor consciente. A interferência estatal constante deixa claro que depender do sistema eleitoral para obter mudanças reais é uma ilusão ingênua. O cidadão que deseja proteger suas escolhas precisa recorrer a colas eleitorais impressas e apoiar candidaturas independentes fora do alcance do canetaço burocrático. A liberdade de escolha não pode continuar refém de magistrados que alteram o entendimento da lei conforme o vento político sopra na capital federal.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

No fim das contas, proibir as redes sociais de um candidato mantendo seu nome na urna eletrônica é apenas a confissão explícita de que o sistema tem pavor do debate livre e precisa aparelhar o campo de jogo para sobreviver.

Não espere imparcialidade de tribunais nem soluções salvação por meio de urnas; proteja sua família, blinde o seu patrimônio e cultive a sua própria liberdade longe das garras do Estado. Eu sou Peter Albuquerque para o Web Jornal Vale da Liberdade. Até a próxima.