BRASIL E MUNDO — Abertura

Fala, pessoal! Aqui é o Peter Albuquerque. Quando eu avisei que o governo atual iria destruindo o caixa das estatais para tentar garantir a reeleição, não era exagero. É exatamente a repetição daquela velha cartilha do partido de 2014, quando represaram as tarifas da Petrobras até quebrar a empresa. Agora, com a cotação do petróleo disparando no mercado internacional por conta de tensões geopolíticas, o Planalto decidiu travar o preço do diesel na marra para esconder a inflação antes do pleito.

Só que o mercado tem suas regras e não perdoa decisões baseadas em puro desespero político. O resultado dessa maquiagem econômica já começou a aparecer: a defasagem do combustível beira os três reais por litro, a conta não fecha para os importadores privados e o fantasma do desabastecimento voltou a assombrar o país. Quem acha que o monopólio estatal consegue enganar as leis da oferta e da procura por muito tempo vai tomar um choque de realidade.

BRASIL E MUNDO — Desenvolvimento

A situação nos polos de distribuição da Petrobras atingiu um nível crítico. Segundo levantamentos da Abicom divulgados pela imprensa, a defasagem entre o valor praticado internamente e a paridade internacional saltou para até 119%. Na prática, isso significa que a estatal está operando no prejuízo toda vez que vende diesel no mercado nacional, bancando um subsídio disfarçado. Qual é a lógica de forçar uma corporação a queimar margem para bancar propaganda eleitoral? Nenhuma do ponto de vista de gestão, mas todas do ponto de vista de um governo desesperado.

Existe uma grande ilusão na cabeça do brasileiro médio de que o país é blindado de crises externas porque produz muito petróleo. É verdade que empatamos na produção bruta, mas o nosso petróleo é pesado e as refinarias nacionais não têm capacidade de processar tudo e transformar no diesel que move os caminhões. Precisamos exportar o óleo cru e importar o produto refinado. Se a cotação internacional do barril sobe, o custo de importação acompanha na hora. Negar esse fato básico da economia global é ignorância ou pura má-fé.

Quando o Estado impõe um teto artificial ao preço do combustível, acontece o efeito previsível de qualquer controle de preços na história: o produto simplesmente some. Como os importadores privados não são entidades de caridade para comprar caro lá fora e revender no Brasil com prejuízo, eles simplesmente interromperam as compras. Em setembro, as importações de diesel desabaram. O resultado de ter um preço baratinho no papel, mas zero combustível na bomba, é que o consumidor fica sem opção alguma. É a escassez planejada via burocracia.

O momento escolhido pela gestão estatal para aprontar esse espetáculo não poderia ser pior. Estamos na janela mais crucial para o agronegócio brasileiro, fase de escoamento da safra atual e preparo para o plantio da próxima safra. O campo depende diretamente do diesel para operar tratores, colheitadeiras e logística pesada. Com o alerta dos importadores sobre o risco iminente de falta de combustível nas distribuidoras regionais, corre-se o risco real de paralisar a produção agrícola e provocar uma quebra de safra por pura irresponsabilidade governamental.

Para piorar o cenário do lado da oferta global, a Rússia parou de vender diesel barato para o mercado internacional. Depois de passar meses comprando aquele diesel com desconto vindo de Moscou, o Brasil ficou a ver navios. A Ucrânia intensificou seus ataques de drones contra instalações petroquímicas e refinarias russas em várias regiões do país. A capacidade de refino da Rússia despencou tanto que o governo de Vladimir Putin estendeu a proibição de exportação do combustível. O suprimento barato acabou do dia para a noite.

Além da parada russa, o gargalo logístico no Oriente Médio voltou a estrangular o transporte marítimo de petróleo. Militantes Rutes do Iêmen tomaram o controle da Ilha de Perim, no estreito de Bab al-Mandab, criando um novo nó estratégico que ameaça as rotas do Mar Vermelho para o Canal de Suez. Com o Estreito de Ormuz também sob constante ameaça do Irã, a logística internacional virou um caos. Os custos de frete e seguro dispararam, empurrando o preço global das cotações ainda mais para cima.

O que estamos testemunhando é a aplicação clássica dos incentivos perversos da intervenção estatal. O governo finge que protege o consumidor ao represar preços na Petrobras, mas na prática está preparando uma bomba-relógio fiscal e cambial. Se o mercado internacional continuar estressado, a conta dessa fatura represada vai ser cobrada com juros e correção após as urnas. Foi exatamente essa mesma palhaçada e irresponsabilidade que quase levou a Petrobras à falência no passado e causou uma imensa recessão.

BRASIL E MUNDO — Fechamento

Não existe almoço grátis quando o assunto é economia real. A ilusão de que o Estado pode controlar cotações internacionais na canetada dura só até o combustível acabar no posto. O ajuste virá inevitavelmente, seja por meio de um mega-reajuste na gasolina e no diesel após a eleição, seja pela falência operacional das distribuidoras. Quem paga a conta no final é o trabalhador e o produtor rural que bancam esse rombo no bolso.

Se você quer continuar entendendo os bastidores da economia sem os eufemismos da imprensa tradicional e sem a maquiagem das estatais, inscreva-se aqui no canal e ative as notificações. Deixe seu comentário sobre como a escassez de diesel afeta a sua região. Eu sou o Peter Albuquerque, obrigado pela audiência e até a próxima!